Operação Nexus prende vereador e mira suposto integrante do PCC; Ferrari, Porsche e esquema milionário entram na mira do Gaeco

  • por Redação
  • Tuesday, 15 de September de 2026
Megaoperação do Gaeco e da Polícia Militar cumpre 26 mandados de busca em Itatiba e Campinas contra grupo investigado por tráfico e lavagem de dinheiro; seis pessoas foram detidas e veículos apreendidos são avaliados em aproximadamente R$ 5 milhões.(Foto: Divulgação/1°Baep)

 

Uma grande ofensiva contra o crime organizado mobilizou mais de 160 policiais militares nesta terça-feira (15) nas cidades de Itatiba e Campinas, no interior de São Paulo. A Operação Nexus, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas, do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Polícia Militar, atingiu uma estrutura investigada por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Até o momento, seis pessoas foram detidas. Durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes também recolheram diversos aparelhos celulares, computadores e tablets, além de aproximadamente R$ 177 mil em dinheiro vivo. Talões de cheques, notas fiscais e livros contábeis também foram apreendidos e deverão ser analisados pelos investigadores para tentar reconstruir a movimentação financeira do grupo.

Diferentes tipos de drogas também foram encontrados durante as diligências. As autoridades ainda não divulgaram o balanço definitivo com as quantidades e os tipos de entorpecentes apreendidos.

Entre os principais alvos está Reginaldo Pereira da Silva, conhecido como “Tim”, apontado pelos investigadores como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele possui histórico criminal por tráfico de drogas e roubo e foi localizado junto com a esposa em um condomínio de alto padrão em Itatiba. Os dois são apontados pela investigação como integrantes do núcleo de comando e lavagem de dinheiro da organização.

Um dos pontos de maior destaque da ação foi o patrimônio encontrado durante as buscas. Entre os veículos de alto valor apreendidos estão uma Ferrari, um Porsche Boxster, uma Land Rover, uma Toyota Hilux SW4 e uma motocicleta Harley-Davidson Fat Boy.

A estimativa preliminar é de que o conjunto dos veículos apreendidos tenha valor próximo de R$ 5 milhões. A investigação deverá verificar a propriedade dos bens, a origem dos recursos utilizados para adquiri-los e se parte desse patrimônio teria relação com a lavagem de dinheiro investigada.

A presença dos veículos de luxo reforçou uma das principais linhas de apuração do Gaeco. Durante o período acompanhado pelos investigadores, Tim teria adquirido ou negociado mais de 20 automóveis de alto padrão, incluindo modelos de marcas como Lamborghini, Ferrari e Porsche.

As movimentações envolvendo carros de grande valor passaram, assim, a ocupar uma posição importante na investigação. O Ministério Público busca descobrir se negociações no setor automobilístico eram utilizadas para movimentar, ocultar ou dar aparência legal a recursos que teriam origem nas atividades criminosas atribuídas ao grupo.

A apuração aponta que a organização possuía uma estrutura dividida em diferentes setores, com integrantes responsáveis pelo comando e lavagem de dinheiro, gerenciamento operacional, monitoramento e vigilância, abastecimento e distribuição de drogas, logística e suporte, além dos pontos de venda de entorpecentes.

Um dos elementos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a descoberta de um sistema de monitoramento que, segundo o Ministério Público, funcionava 24 horas por dia em Itatiba para acompanhar a movimentação das forças de segurança.

A estrutura permitiria que integrantes do grupo identificassem antecipadamente a aproximação de policiais. A partir dos alertas, drogas poderiam ser escondidas, vendedores dispersados e os pontos de comercialização temporariamente fechados. Depois da saída das equipes policiais, as atividades ilícitas poderiam ser retomadas.

A investigação também chegou ao Legislativo municipal. O vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco, conhecido como Du Guaca, filiado ao MDB, está entre os alvos e é investigado por suspeita de integrar o núcleo de monitoramento da organização.

Mandados foram cumpridos na residência do parlamentar e também na Câmara Municipal de Itatiba. O Gaeco apura qual teria sido a participação do vereador dentro da estrutura e sua eventual ligação com o sistema utilizado para acompanhar a movimentação das forças de segurança.

A ofensiva também alcançou um integrante da própria Polícia Militar. A Corregedoria da corporação cumpriu mandado contra um policial militar investigado por manter relação com Tim. A apuração busca esclarecer a natureza dessa ligação e se houve alguma participação do agente nas atividades investigadas.

Outro braço considerado importante pelo Gaeco envolve empresas do comércio de automóveis. Três lojas de veículos foram alvo das buscas, duas em Itatiba e uma em Campinas, por suspeita de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro.

Entre os investigados está um empresário ligado ao mercado de veículos de luxo em Campinas. Conforme as informações da investigação, um dos empresários do setor teria funcionado como uma espécie de “banco” para o principal alvo, com pagamentos que, somados, ultrapassariam R$ 2 milhões.

Os investigadores agora buscam reconstruir essas movimentações financeiras e verificar se negócios envolvendo automóveis de alto padrão foram utilizados para inserir no mercado formal valores que teriam origem no tráfico de drogas ou em outras atividades criminosas.

Documentos fiscais e contábeis apreendidos nesta terça-feira ganham importância justamente nessa frente. Talões de cheques, notas fiscais, livros contábeis, celulares, computadores e tablets poderão ajudar o Gaeco a confrontar movimentações financeiras com a compra e venda de veículos e outros bens atribuídos aos investigados.

Ao todo, foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão, conforme o balanço mais recente. As diligências são realizadas em Itatiba e Campinas e atingem empresários, agentes públicos e pessoas relacionadas ao tráfico de drogas na região, apontadas pela investigação como integrantes ou relacionadas ao mesmo grupo.

A mobilização reúne mais de 160 policiais militares, além de promotores de Justiça. Participam das diligências equipes do 1º e do 10º Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep) e da Corregedoria da Polícia Militar. Os trabalhos contam ainda com apoio do helicóptero Águia e de cães farejadores.

Segundo as autoridades, o objetivo é atingir simultaneamente diferentes setores da engrenagem investigada, desde o tráfico e a distribuição de drogas até os responsáveis pelo monitoramento, logística, movimentação financeira e possível lavagem do dinheiro obtido ilegalmente.

Com seis detidos, cerca de R$ 177 mil em espécie, drogas, documentos, equipamentos eletrônicos e uma frota de alto padrão avaliada preliminarmente em quase R$ 5 milhões, o material recolhido deverá agora passar por análise detalhada do Gaeco.

As informações são preliminares e poderão ser atualizadas conforme o avanço dos trabalhos e a conclusão das diligências. Os fatos atribuídos aos alvos ainda estão sob investigação, e eventual responsabilidade criminal de cada envolvido dependerá da análise das provas e das decisões da Justiça.

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