Deolane Bezerra é presa em SP por suspeita de lavar dinheiro para a cúpula do PCC

  • por Redação
  • Thursday, 21 de May de 2026
Operação Vérnix revela transações milionárias fracionadas e conexões da influenciadora com familiares de Marcola; bloqueios judiciais somam R$ 357 milhões (Foto: Divulgação)

 

A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa preventivamente pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo na manhã desta quinta-feira (21). A prisão ocorreu em sua mansão localizada em um condomínio de luxo em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, no âmbito da Operação Vérnix.

A investigação aponta que Deolane ocupa uma posição de destaque em um esquema milionário de lavagem de dinheiro coordenado pela cúpula do Primeiro Comando da Capital.

Além da influenciadora, o líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e seus parentes também são alvos das ordens judiciais. Ao todo, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio financeiro de R$ 357,5 milhões dos investigados, sendo R$ 27 milhões diretamente das contas de Deolane, além do sequestro de imóveis e de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Antes da detenção, o nome de Deolane foi inserido na lista da Difusão Vermelha da Interpol enquanto ela passava uma temporada em Roma, na Itália. A influenciadora desembarcou no Brasil na quarta-feira, véspera da deflagração da operação.

As investigações que culminaram na Operação Vérnix tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Os textos detalhavam ordens de ataques contra servidores e faziam referência a uma mulher da transportadora. A partir daí, a polícia identificou uma empresa de cargas na mesma cidade que funcionava como braço financeiro de fachada para ocultar recursos da facção.

Em fases anteriores da apuração, o celular de um dos operadores centrais do grupo foi apreendido. A análise do aparelho revelou comprovantes de depósitos bancários direcionados a Deolane Bezerra e a Everton de Souza, o Player, apontado como o operador financeiro que coordenava os fechamentos mensais de caixa do grupo criminoso.

De acordo com os relatórios técnicos analisados, Deolane utilizava a prática de smurfing, recebendo mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados, sempre em valores inferiores a R$ 10 mil, técnica usada para burlar os alertas automáticos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Ela também registrou cerca de 50 depósitos que somam R$ 716 mil em duas empresas de sua propriedade. Os repasses corporativos vinham de uma instituição financeira registrada em nome de um laranja na Bahia, cuja renda declarada era de apenas um salário mínimo.

As autoridades confirmaram que não existem contratos de prestação de serviços advocatícios ou comerciais legítimos que justifiquem a origem do dinheiro.

Esta não é a primeira vez que a rotina de luxo exibida por Deolane para seus mais de 21 milhões de seguidores vira caso de polícia. Nos últimos anos, ela acumulou passagens por investigações criminais de grande repercussão nacional.

Em julho de 2022, ela teve carros de luxo apreendidos em sua mansão em Alphaville durante apuração contra uma empresa de apostas esportivas por crimes contra a economia popular.

Em setembro de 2024, na Operação Integration, ela sofreu sua primeira prisão efetiva em Recife, acusada de lavagem de dinheiro oriundo de jogos ilegais e bets, chegando a obter prisão domiciliar, mas retornando à colônia penal após descumprir medidas cautelares, até ser solta pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Posteriormente, em fevereiro de 2025, foi investigada formalmente pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após publicar fotos ostentando o cordão de ouro de um chefe do tráfico do Complexo da Maré. Mais recentemente, em abril de 2026, na Operação Narco Fluxo, ela foi alvo da Polícia Federal sob a suspeita de que suas contas bancárias funcionavam como contas de passagem para ocultar patrimônio do tráfico internacional de cocaína.

Em nota divulgada nas redes sociais, Daniele Bezerra, irmã e advogada de Deolane, alegou que a nova prisão reflete uma perseguição política e midiática contra a influenciadora. A defesa argumenta que o pedido de prisão preventiva se baseia em ilações e suposições frágeis, sustentando que todas as movimentações financeiras de Deolane possuem justificativa legal e serão devidamente comprovadas ao longo da instrução processual. O espaço do portal permanece aberto para manifestações formais dos advogados dos demais citados na operação.

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