Presidente diz faltar estrutura para distribuir doações e falta de manutenção causou enchente em Porto Alegre

  • por Redação
  • Tuesday, 14 de May de 2024
Durante reunião ministerial, o político declarou que falta estrutura para distribuir doações e que falta de manutenção em Porto Alegre causou tragédia. (Foto: Divulgação)

 

O presidente da República comentou na moite desta segunda-feira (13), que o governo federal não tem “estrutura” para distribuir as doações enviadas para as vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul “na hora”.

“A gente não tem estrutura para arrecadar tudo na hora que as pessoas falam. É coisa do exterior, é coisa de cada Estado, cada um que junta um monte de coisa para doação. Ele acha que a gente tem a estrutura de pegar na mesma hora, no mesmo dia e distribuir”, declarou o chefe do Executivo federal durante a abertura da reunião ministerial para tratar de medidas para o Rio Grande do Sul.

O político elogiou a quantidade de voluntários e de doações para ajudar as vítimas no Estado. Segundo ele, a arrecadação dos itens doados demanda infraestrutura para recolher e selecionar as doações, e analisar as necessidades e os locais para onde serão enviadas.

O presidente disse ainda que, até o momento, muitos voluntários estão ajudando, mas que esses devem retornar às suas atividades normais em breve, e que caberá ao Estado dar vazão ao recebimento dos itens.

Na semana passada, o governo publicou portaria permitindo doações de outros países de produtos usados, seja de equipamentos ou bens de consumo. A medida tem duração de 30 dias e é restrita ao Rio Grande do Sul. Com a portaria, outros países podem doar roupas, equipamentos e máquinas para auxiliar na reconstrução do Estado.

O presidente disse ainda que as enchentes em Porto Alegre (RS) não foram causadas só pelas fortes chuvas que atingiram a capital gaúcha, mas também pela falta de cuidado com “as comportas”.

O chefe do executivo federal não especificou a que comportas se referia. “Me parece que não foi só um fenômeno da chuva. Me parece que foi um fenômeno das pessoas que não cuidaram das comportas, que deveriam ter cuidado há muito tempo. Mas tudo isso é um problema a ser resolvido daqui para a frente. Nós vamos tentar apresentar a nossa contribuição ao povo do Rio Grande do Sul, inclusive, apresentando uma discussão nacional sobre resolver definitivamente a questão das enchentes na cidade de Porto Alegre e na região metropolitana”, disse.

O político fez uma breve fala ao abrir a reunião ministerial convocada de emergência na manhã de ontem ( 13) para discutir as ações de ajuda ao Rio Grande do Sul. O encontro, que estava previsto para às 17h, começou por volta das 18h30. A reunião foi fechada, mas o trecho foi divulgado à mídia pela Secom (Secretaria de Comunicação Social).

Sobre a infraestrutura do estado gaúcho, ele acrescentou haver uma “infinidade de coisas para recuperar” no Rio Grande do Sul. “É uma infinidade de problemas que a gente vai ter que cuidar e que não é uma coisa de curto prazo, é uma coisa de médio e eu diria até quase longo prazo, porque recuperar aquele estado, sabe, vai ser bastante difícil”. Ao final, disse que o compromisso do governo é deixar o estado “como era antes da chuva”.


Bronca em ministros

O presidente também aproveitou a oportunidade para reclamar com seus 38 ministros ao discursar no início da reunião ministerial convocada de emergência para discutir as ações do governo federal de ajuda ao Rio Grande do Sul.

Ele mandou que evitem anunciar publicamente uma ideia sem antes transformá-la em uma política pública. “Cada ministro que for falar, ou cada ministra, tentar falar sempre a mesma coisa que está acontecendo, não ficar dizendo quando não está acontecendo ou ficar inventando coisa que ainda não discutiu […] Uma ideia é um instrumento de conversas do governo para que a gente transforme a ideia em uma política real. Não é cada um dá sua ideia e vai falando o que vai fazer, porque isso termina não construindo uma política pública sólida e uma atuação muito homogênea do governo no caso do Rio Grande do Sul”, disse.

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