Enxurrada de informações falsas contra Flávio Bolsonaro marca segundo turno e amplia ofensiva de apoiadores de Lula nas redes sociais

  • por Redação
  • Thursday, 08 de October de 2026
Acusações sobre o fim do Bolsa Família, SUS, aposentadorias, 13º salário e outros direitos contrariam propostas apresentadas pelo candidato do PL à Justiça Eleitoral. Mobilizações políticas nas redes sociais e em universidades também entram no centro da disputa eleitoral.(Foto: Arquivo/Dia Dia Com)

 

A disputa presidencial de 2026 entrou no segundo turno marcada pela intensificação dos ataques políticos da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). Uma série de publicações compartilhadas nas redes sociais atribui ao candidato da direita propostas de acabar com programas sociais, retirar direitos trabalhistas, extinguir aposentadorias e privatizar serviços públicos, apesar de essas medidas não constarem do plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral.

Entre as acusações estão o suposto encerramento do Bolsa Família, a cobrança por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), a extinção do 13º salário, das férias remuneradas, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da Farmácia Popular.

As mensagens circulam principalmente em publicações de caráter político, incluindo perfis favoráveis à reeleição de Lula, e buscam associar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perda de benefícios e direitos conquistados pelos brasileiros. A ideia da campanha de Lula é tentar virar as intenções de voto na base do medo e do terror por meio das redes sociais, e programas de rádio e televisão a partir desta sexta-feira (09).

Porém, o conteúdo dessas publicações passou a ser confrontado com o programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), documento público que apresenta os compromissos assumidos pelo candidato para os próximos quatro anos.

A ofensiva ocorre depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula, resultado que levou o PT a reformular sua estratégia de comunicação. Segundo informações divulgadas sobre reuniões internas do partido, a nova orientação é enfatizar possíveis riscos aos benefícios sociais e aos direitos da população em caso de vitória do candidato do PL.

A estratégia passou a ser chamada por aliados do presidente de "estratégia do medo", com o objetivo de destacar possíveis consequências de uma mudança de governo e conquistar eleitores indecisos com a produção de notícias falsas.

Entre os principais alvos das publicações está o Bolsa Família. Mensagens afirmam que Flávio Bolsonaro encerraria o benefício caso fosse eleito presidente. O plano de governo, entretanto, estabelece a manutenção dos programas sociais existentes, com aperfeiçoamento da gestão, combate a fraudes e incentivo à qualificação profissional dos beneficiários.

Na área da saúde, publicações afirmam que o candidato pretende privatizar o SUS, acabar com os atendimentos gratuitos e obrigar pacientes a pagar por consultas e exames. O documento oficial não apresenta essas medidas. A proposta prevê a contratação complementar de serviços privados para reduzir filas, mantendo o atendimento pelo sistema público.

As acusações também envolvem os direitos trabalhistas. Montagens atribuem a Flávio Bolsonaro a intenção de extinguir a CLT, acabar com o 13º salário, retirar férias remuneradas e eliminar o FGTS. O programa, porém, menciona a preservação desses direitos e propõe reduzir os custos das contratações formais sem retirar garantias dos trabalhadores.

O candidato também defende maior espaço para negociações entre empregados e empregadores, respeitando os limites legais. A medida não equivale à eliminação automática dos direitos previstos na legislação.

Aposentados, idosos e pessoas com deficiência também passaram a ser mencionados nas publicações. Entre as acusações estão o suposto fim das aposentadorias, do BPC e dos benefícios previstos na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas).

Nenhuma dessas extinções aparece no programa apresentado à Justiça Eleitoral. Na Previdência, o candidato propõe o programa "INSS sem fila", destinado a digitalizar processos, melhorar o atendimento e reduzir o tempo de espera pela concessão de benefícios.

A Farmácia Popular também aparece entre os programas que supostamente seriam encerrados. O plano de Flávio Bolsonaro não prevê essa medida. Ao contrário, apresenta uma proposta para ampliar a distribuição de medicamentos por meio de entregas domiciliares.

Outra acusação envolve a Petrobras. Publicações afirmam que o candidato venderia a estatal caso fosse eleito. Embora o plano defenda a retomada de desestatizações analisadas individualmente, não determina a privatização da empresa. A coordenação econômica da campanha também declarou que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal seriam preservados.

A jornada de trabalho 6x1 também foi incluída nas mensagens. Publicações atribuem a Flávio Bolsonaro uma posição contrária a qualquer mudança na escala, embora o programa não estabeleça uma proibição específica de alteração dessa jornada.

Paralelamente à disputa nas redes sociais, organizações estudantis e movimentos identificados com a esquerda iniciaram uma mobilização nacional em apoio à reeleição de Lula e contra Flávio Bolsonaro.

Na terça-feira, 6 de outubro, a União Nacional dos Estudantes (UNE) aprovou uma resolução de apoio ao presidente e convocou diretórios centrais de estudantes, centros acadêmicos e outras entidades para organizar assembleias, plenárias, manifestações e atividades políticas dentro e fora das universidades.

A mobilização alcançou instituições federais e estaduais em diferentes regiões do país, incluindo universidades do Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Mais de 40 atividades foram anunciadas em 14 estados e no Distrito Federal, envolvendo manifestações públicas, reuniões estudantis e campanhas de comunicação.

Na quarta-feira, 7 de outubro, estudantes realizaram uma manifestação no Centro do Rio de Janeiro em apoio à reeleição de Lula. O movimento também anunciou novas ações para os dias seguintes, com a intenção de ampliar a participação de estudantes na disputa presidencial.

A campanha estudantil, denominada "Estudantes com Lula pelo futuro do Brasil", apresenta como bandeiras a defesa da educação pública, a ampliação de investimentos nas universidades e a continuidade de programas educacionais.

Seus organizadores também fazem críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro. A participação dessas entidades amplia a presença da disputa eleitoral no ambiente universitário. 

Diante da repercussão, a campanha de Flávio Bolsonaro classificou as montagens como uma nova onda de desinformação eleitoral e anunciou a intenção de adotar medidas judiciais para identificar e responsabilizar os responsáveis.

A equipe do candidato negou propostas de acabar com programas sociais, extinguir direitos trabalhistas, privatizar o SUS ou encerrar benefícios previdenciários. Também reafirmou que o programa registrado na Justiça Eleitoral deve ser utilizado como referência para a comparação das propostas.

O artigo 323 do Código Eleitoral prevê punição para a divulgação, durante a campanha, de fatos que o responsável sabe serem inverídicos em relação a partidos ou candidatos e que sejam capazes de influenciar o eleitorado.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro deverá continuar envolvendo programas sociais, direitos trabalhistas, previdência, saúde pública e o futuro da economia brasileira.

O confronto entre as publicações que circulam nas redes e o programa registrado no TSE mostra que acusações sobre a extinção do Bolsa Família, do SUS, da Farmácia Popular, das aposentadorias e dos direitos trabalhistas não encontram respaldo nas propostas oficialmente apresentadas pelo candidato do PL.

Enquanto o PT intensifica o discurso sobre possíveis riscos de uma mudança de governo e movimentos aliados ampliam a mobilização eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro procura rebater as acusações com seu programa de governo e medidas judiciais contra publicações consideradas falsas.

O cenário coloca a desinformação e a disputa pelo voto dos brasileiros no centro da reta final da eleição presidencial de 2026.

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