VOEPASS 2283: Cenipa conclui que avião não poderia ter decolado e aponta falhas da empresa, pilotos e Anac

  • por Redação
  • Friday, 24 de July de 2026
Documento detalha que aeronave viajava com dez panes conhecidas, despertando dor e forte revolta entre os familiares das vítimas em Brasília. (Foto: Arquivo/Divulgação)

 

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos divulgou na quinta-feira (23), na sede do órgão em Brasília, o relatório final sobre a queda do avião da Voepass ocorrida em agosto de 2024, na cidade de Vinhedo, no interior paulista.

O documento concluiu que o acidente, que tirou a vida de 62 pessoas, foi o resultado de uma sequência de falhas graves e cravou que a aeronave não tinha condições mínimas para decolar. Antes de os dados virem a público, os parentes dos passageiros e tripulantes participaram de uma reunião fechada com os investigadores para conhecer os detalhes do levantamento.

A apresentação apontou que o turboélice partiu da cidade de Cascavel, no Paraná, operando de forma totalmente irregular frente às normas de segurança vigentes. O avião viajou com dez problemas conhecidos pela companhia, incluindo um defeito no limpador de para-brisa, item obrigatório para voar sob previsão de chuva.

Os investigadores também identificaram que o sistema de proteção contra o acúmulo de gelo nas asas apresentou falhas em voos anteriores que sequer foram registradas nos diários de bordo. Conforme o relatório, a empresa mantinha uma rotina frequente de ignorar pequenas panes e desrespeitar os padrões recomendados de manutenção, consolidando uma cultura de informalidade e normalização de desvios.

O comportamento dos pilotos nos momentos que antecederam a queda também contribuiu diretamente para o desfecho trágico. O avião voou por quase dez minutos dentro de uma nuvem com formação severa de gelo sem que os pilotos ativassem as defesas da aeronave.

Os registros sonoros revelaram que a tripulação se distraiu com conversas sobre assuntos pessoais em momentos críticos e não percebeu a perda gradual de velocidade do aparelho. Além disso, a agência reguladora do governo falhou ao manter a empresa voando mesmo após identificar problemas estruturais em inspeções anteriores.

Para os familiares que viajaram até a capital federal para acompanhar o anúncio, o sentimento na saída do encontro foi de profunda dor e indignação. Parentes declararam que o relatório deixou claro que a tragédia era totalmente previsível e que as mortes ocorreram por pura negligência.

Muitos choraram ao ouvir que os problemas na frota eram tratados como normais no dia a dia da empresa. Representantes das famílias afirmaram que os dados técnicos agora vão dar força para o processo criminal conduzido pela Polícia Federal e para as ações judiciais que buscam punir os responsáveis pela falta de manutenção e de controle do voo.

Relembre a tragédia 

O acidente aconteceu na tarde de uma sexta-feira, 9 de agosto de 2024, quando o avião turboélice de modelo ATR 72-500 operava o voo número 2283. O voo havia partido normalmente de Cascavel, no Paraná, por volta do meio-dia, transportando 58 passageiros 1 cachorro e 4 tripulantes com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.

A viagem seguia em altitude de cruzeiro quando, por volta de 13h20, a aeronave entrou em uma área com alerta meteorológico severo para congelamento e perdeu rapidamente a sustentação.

O avião começou a girar sem controle no ar antes de despencar verticalmente e colidir contra o quintal de uma casa localizada dentro de um condomínio residencial em Vinhedo.

A violência do impacto e o incêndio que se espalhou pelos destroços mataram instantaneamente todas as 62 pessoas a bordo, tornando este o pior desastre da aviação comercial brasileira desde o ano de 2007.

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