Vereadora de Americana rebece ameaças em comentário. "Próxima Marielle"

  • por Redação
  • Thursday, 16 de February de 2023
Parlamentar recebeu a mensagem em um comentário de um vídeo, onde pede informações sobre a ocupação em frente ao Tiro de Guerra em dezembro do ano passado por manifestantes contrários ao resultado das eleições (Foto: Divulgação/CMA)

 

A Vereadora da cidade de Americana Juliana Soares (PT), registrou um boletim de ocorrência nesta semana após um comentário em uma rede social dizer que ela seria a próxima Marielle, vereadora executada a tiros junto com motorista da parlamentar no Rio de Janeiro, em 14 de março de 2018. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Americana.

O comentário foi postado em dezembro do ano passado, em uma publicação em que a parlamentar critica sobre as manifestações em frente ao Tiro de Guerra, após o resultado das eleições onde o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi derrotado nas urnas.

Além do boletim de ocorrência, a vereadora solicitou à casa legislativa “ações para enfrentamento e combate à violações da dignidade da pessoa humana”. O requerimento também relata uma fala do vereador de Santa Bárbara D'Oeste, Felipe Corá (Patriotas), que gravou um vídeo dizendo que ela seria defensora de bandidos, do aborto e deveria lavar a boca com ácido sulfúrico. Ele foi condenado a pagar uma indenização à parlamentar americanense.

Agora, no vídeo da vereadora criticando as manifestações de dezembro, um usuário publicou um comentário com tom de ameaça: “Próxima Marielle”. O caso foi registrado na DDM de Americana e está sendo investigado, “Esse foi o comentário que li num vídeo, num recorte da minha fala em dezembro de 2022 sobre um requerimento onde eu pedia informação sobre a ocupação da área em frente ao TG de Americana. Por isso eu registrei um boletim de ocorrência por ameaça e incitação ao crime na Delegacia Da Mulher, de Americana e relatei o contexto dos fatos e entreguei os registros num pen drive”, afirmou.

Mensagens mostram ameaça contra a parlamentar.(Foto:Divulgação)

A parlamentar ainda pretende acionar o governo federal, para  reivindicar ações que protejam parlamentares que sofrem violência politica, principalmente mulheres.

Em nota, a Câmara Municipal de Americana publicou por meio de seu presidente Thiago Brochi,  uma nota de repúdio à violência política sofrida devido aos ataques violentos direcionados a vereadora Professora Juliana (PT).

 
Os comentários recebidos nas redes sociais da vereadora são criminosos e configuram violência política de gênero, que é todo ato de agressão física, psicológica, simbólica ou sexual contra a mulher, com finalidade de impedir ou restringir o acesso e exercício de funções públicas e/ou induzi-la a tomar decisões contrárias à sua vontade.

A nota informa ainda que  a parlamentar, eleita democraticamente com 1.131 votos, é a primeira mulher vereadora do Partido dos Trabalhadores a ocupar uma cadeira no Legislativo de Americana. 

"Não podemos permitir nenhum tipo de ameaça contra qualquer parlamentar, vereadores e vereadoras, ou mulheres que ocupam cargo público na cidade de Americana." Relata a nota.

Em 2021, o Parlamento Brasileiro aprovou uma lei contra a violência de gênero na política. A Lei 14.192, de 4 de agosto de 2021, entre outras medidas, modificou o Código Eleitoral para punir o assédio, o constrangimento, a humilhação, a perseguição ou a ameaça a candidatas ou detentoras do mandato eletivo, com agravo de penas previstas quando o crime for cometido “por meio da internet ou de rede social ou com transmissão em tempo real”.

A Câmara Municipal de Americana se solidariza com a vereadora Professora Juliana e reafirma o compromisso de lutar pelo fortalecimento das políticas públicas para as mulheres e combate e enfrentamento à violência política de gênero. Fecha a nota.

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